O Multiverso e o que Existe Além

O Início (para alguns): O Que é RPG?

por | 30/09/16 | Geek, RPG

Saudações, Desbravadores dos Mundos de Luz! Se você chegou até aqui, existe uma grande chance de que você já saiba a resposta para esta pergunta, mas não se surpreenda se eu disser que muitas pessoas que estão conhecendo o cenário de OHMTAR através do romance ACIMA DOS DEUSES simplesmente NÃO SABEM o que é um RPG ou não sabem como o jogo funciona. E estão interessadas, o que é importante, MUITO IMPORTANTE, para manter o jogo vivo.

Então, aos novatos de plantão: O QUE É RPG?

RPG é a abreviação de role-playing game, o que pode ser traduzido como “jogo de interpretação de papéis”. Num jogo clássico de RPG — o famoso RPG “de mesa” — um grupo de jogadores se reune para desenvolver uma história em conjunto. Um desses jogadores normalmente é o “Mestre” ou “Narrador” do jogo e tem como função assumir o papel de juiz e conduzir a narrativa. Cabe a ele apresentar o cenário no qual história se desenvolve e descrever as cenas para os jogadores para que estes jogadores possam “atuar”.

Os jogadores de RPG assumem o papel de personagens fictícios dentro da ambientação trazida pelo jogo. Eles podem ser super-heróis numa metrópole futurista, pessoas comuns numa Europa renascentista ameaçada por monstros ameaçadores, mutantes de um mundo pós-apocalíptico, vampiros e lobisomens de uma versão sombria da nossa atual realidade e, claro, guerreiros, magos, elfos e anões em um mundo fantástico cheio de dragões, feiticeiros malignos e deuses com poderes impressionantes. Essas são apenas algumas das opções.

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O romance ACIMA DOS DEUSES nasceu de muitas, muitas sessões de RPG. Primeiro nasceu um “cenário” (a ambientação para o jogo, com seus mundos, reinos, deuses e personagens icônicos) chamado OHMTAR e, depois, ambientado nesse cenário, veio o livro.

Antes e durante o lançamento, muitas pessoas vieram até mim dizendo: “adoro literatura fantástica, mas nunca joguei RPG”, ou ainda “sempre tive vontade de jogar, mas nunca me ensinaram”. Teve inclusive quem veio para mim e disse: “eu nunca joguei. Meu filho tem 10 anos. Será que seria legal ele jogar?”.

Claro que seria legal!

RPG estimula a criatividade, a imaginação, a capacidade de abstração, o trabalho em equipe e tantas outras competências que seria impossível listar aqui. Tanto que o jogo é cada vez mais comum em ambientes empresariais e educacionais, como ferramenta de desenvolvimento de competências específicas.

RPG não é um bicho de sete cabeças, vale dizer. Pense no RPG como uma alternativa aos jogos de tabuleiro — que estão cada vez mais em voga. Você tem manuais de regras, um objetivo traçado e tem algumas opções para o seu “papel” dentro do jogo. Alguns jogos são mais complexos, outros menos, alguns mais clássicos, outros mais experimentais. Como tudo na vida.

 

Mas explica melhor…

O jogo que me trouxe para o mundo do RPG (e para muitas pessoas, eu garanto) é o famoso DUNGEONS & DRAGONS (D&D para os íntimos). Se você lembra de Caverna do Dragão, conhece D&D (é, inclusive, o nome original em inglês do desenho): um grupo de aventureiros lutando contra monstros num mundo mágico medieval tentando de todo jeito voltar para casa. O Mestre dos Magos (Dungeon Master, em inglês) lhes indicava o desafio a ser superado e desaparecia para que eles próprios tomassem suas decisões a partir dali. #Nostalgia.

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Caverna do Dragão: A animação oficial do jogo Dungeons & Dragons

 

Essa é a introdução do jogo DUNGEONS & DRAGONS em sua edição mais recente (fonte: D&D 5a. edição, Livro do Jogador) e dá uma visão muito interessante sobre a natureza do jogo.

O RPG DUNGEONS & DRAGONS É SOBRE CONTAR HISTÓRIAS em mundos de espadas e magia. Ele compartilha elementos de jogos infantis e faz de conta. Como aqueles jogos, D&D é guiado pela imaginação. Trata-se de visualizar um grande castelo sob o céu de uma noite tempestuosa e imaginar como um aventureiro de fantasia poderia reagir aos desafios que aquela cena apresenta.

 

Mestre: Depois de passar pelos picos escarpados, a estrada dá uma guinada repentina para o leste e o Castelo Ravenloft aparece adiante. Torres em ruínas mantêm uma vigília silenciosa sobre a aproximação de vocês. Elas parecem guaritas abandonadas. Além delas, um abismo se mostra e desaparece em uma névoa mais ao fundo. Uma ponte levadiça está baixada e atravessa o abismo, conduzindo o caminho até uma entrada em arco para o jardim do castelo. As correntes da ponte levadiça rangem com o vento, o aço corroído pela ferrugem está tensionado com seu peso. Do alto da forte muralha, gárgulas de pedra encaram vocês com as órbitas vazias e sorrisos horríveis. Uma grade levadiça de madeira apodrecida, coberta de musgo que cresceu ali, segue dependurada no túnel de entrada. Além disso, as portas do castelo estão abertas, e uma luz quente e abundante chega até o jardim. 

 

Phillip (jogando com Gareth): Eu quero olhar as gárgulas. Eu tenho um sentimento que elas não são apenas estátuas. 

 

Amy (jogando com Riva): A ponte levadiça parece precária? Eu quero ver quão resistente ela é. Dá para passar, ou ela vai cair com o nosso peso? 

 

Diferente dos jogos de faz de conta, D&D dá estrutura às histórias, uma maneira de determinar as consequências das ações dos aventureiros. Os jogadores rolam dados para resolver se seus ataques acertam ou erram, ou se seus personagens conseguem escalar um precipício, se desviam do golpe de um relâmpago mágico, ou fazem alguma outra tarefa perigosa. Tudo é possível, mas os dados fazem alguns resultados mais prováveis que outros.

 

Mestre: Ok, um de cada vez. Phillip, Gareth está olhando para as gárgulas? 

 

Phillip: Sim. Tem alguma dica de que elas podem ser criaturas em vez de decoração? 

 

Mestre: Faça um teste de Inteligência. 

 

Phillip: Por acaso minha perícia Investigação se aplica? 

 

Mestre: Claro! 

 

Phillip (rolando um dado de 20 lados): Pô! Sete. 

 

Mestre: Elas parecem como decoração para você. E Amy, Riva está checando a ponte levadiça?

 

No jogo de DUNGEONS & DRAGONS, cada jogador cria um aventureiro (também chamado de personagem) e se une a outros aventureiros (jogados por amigos). Trabalhando em conjunto, o grupo pode explorar uma escura masmorra, cidades em ruínas, castelos assombrados, um templo perdido nas profundezas de uma selva, ou uma caverna cheia de lava sob uma montanha misteriosa. Os aventureiros podem resolver enigmas, falar com outros personagens, combater monstros fantásticos e encontrar itens mágicos fabulosos e outros tesouros.

 

Um jogador, porém, toma o papel de Mestre, o condutor da história do jogo e árbitro. O Mestre cria aventuras para os personagens que navegam por seus perigos e decidem os caminhos a explorar. O Mestre pode descrever a entrada do Castelo Ravenloft e os jogadores decidem o que eles querem que seus aventureiros façam. Eles irão atravessar a arriscada ponte levadiça? Vão se amarrar a uma corda para minimizar a chance de alguém cair se a ponte ceder? Ou vão conjurar uma magia que pode atravessá-los pelo penhasco?

 

Então o Mestre determina os resultados das ações dos aventureiros e narra o que eles experimentaram. Como o Mestre pode improvisar uma reação para qualquer tentativa dos jogadores, D&D é infinitamente flexível e cada aventura pode ser excitante e inesperada.

 

Não há vencedor ou perdedor no jogo DUNGEONS & DRAGONS, pelo menos não em termos que geralmente se têm em um jogo. Juntos, o Mestre e os jogadores criam uma história excitante de aventureiros ousados que enfrentam perigos fatais. Algumas vezes um aventureiro pode ter um fim sinistro, sendo partido em pedaços por monstros ferozes ou finalizado por vilões corruptores. Mesmo assim, outros aventureiros podem procurar por magias poderosas que são capazes de reviver seus companheiros caídos, ou o jogador pode escolher criar um novo personagem para continuar jogando. O grupo pode não conseguir completar uma aventura, mas se todos tiveram um bom tempo juntos e criaram uma história memorável, então todos ganharam. 

O RPG há muito tem sua visibilidade como gênero de jogos eletrônicos, mas o RPG “analógico”, de mesa, tem seus momentos de altos e baixos. A série THE BIG BANG THEORY já apresentou diversas vezes seus personagens jogando RPG, da mesma forma que desenhos animados mais recentes como ADVENTURE TIME aproveitam a temática. Nada, entretanto, como o que foi capaz de fazer a série STRANGER THINGS (Netflix, 2016), que com seu ar oitentista, trouxe memórias fantásticas de velhos jogadores à tona, ao mesmo tempo em que despertou a curiosidade nos espectadores que desconhecem o jogo.

Stranger Things e o clássico Dungeons & Dragons

Stranger Things e o clássico Dungeons & Dragons

 

OK. E como eu começo?

Se você quer jogar RPG, você tem alternativas. Você pode pesquisar alguns grupos nas redes sociais para conversar sobre o tema, sites que tratam do assunto ou até mesmo buscar diretamente algum jogo para, com o manual em mãos, começar a angariar alguns amigos para jogar com você. O céu é o limite. É um hobby construtivo e excelente para desenvolver amizades duradouras. Nada mais divertido que conversar com seus amigos de anos, às vezes décadas, sobre eventos que aconteceram em sessões de jogos de RPG quando vocês eram mais novos. “Lembra quando aquele dragão negro cuspiu ácido no personagem do fulano?” ou “E aquela vez em que os personagens estavam quase desistindo quando conseguiram um resultado perfeito no dado e todos derrotaram o vilão?”.

A seguir, alguns links interessantes para ajudá-los a mergulhar nesse mundo. E, claro: BOM JOGO!

Alexandre Sarmento
Autor e Primeiro Mestre de Ohmtar

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Por onde eu começo:

 

SITES E PORTAIS:

RPG.NETWORK: Rede de Blogs de RPG

REDE RPG: O maior portal de RPG do Brasil

RPG VALE

RPG NOTÍCIAS: Notícias, Artigos e Ferramentas sobre RPG

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